O que realmente muda nos 90 dias antes da gravidez?

O que realmente muda nos 90 dias antes da gravidez?

Quando alguém decide engravidar, é comum pensar que o processo começa quando o método contraceptivo é suspenso ou quando chegam os primeiros dias férteis. Mas, biologicamente, a história começa antes.

É por isso que os 90 dias anteriores à tentativa aparecem com tanta frequência nas conversas sobre pré-concepção. Não porque exista uma virada exata no organismo quando o calendário completa três meses, mas porque esse intervalo representa uma janela importante para revisar hábitos, corrigir possíveis deficiências nutricionais, organizar condições clínicas e preparar tanto o organismo feminino quanto o masculino para a concepção.

O cuidado pré-concepcional tem justamente esse objetivo: identificar fatores modificáveis antes que a gravidez aconteça, em vez de começar a olhar para eles somente depois do teste positivo. Isso inclui revisão de medicamentos, condições de saúde pré-existentes, alimentação, atividade física, consumo de álcool e tabaco, vacinação e suplementação.

Mas o que, de fato, pode mudar nesses três meses?

Para a mulher

90 dias não renovam os óvulos, mas podem mudar o ambiente em que eles amadurecem. Esse é um ponto importante porque a ideia dos “90 dias” muitas vezes acaba sendo simplificada demais.

A mulher já nasce com sua reserva de folículos. Portanto, não é correto dizer que três meses de preparo irão produzir novos óvulos, renovar a reserva ovariana ou reverter os efeitos da idade.

O que acontece é que os folículos passam por um longo processo de desenvolvimento antes que um deles chegue à ovulação. Durante esse período, o oócito está inserido em um ambiente biológico que depende da saúde metabólica, hormonal e nutricional da mulher.

As células que cercam o oócito participam de sua nutrição e fornecimento de energia. Função mitocondrial, estresse oxidativo, disponibilidade de nutrientes e equilíbrio metabólico fazem parte desse ambiente.

Por isso, preparar o organismo antes da tentativa não muda idade nem reserva ovariana, mas permite atuar sobre fatores modificáveis que compõem o cenário em que aquele folículo irá se desenvolver.

Esse cuidado ganha ainda mais relevância em mulheres com ciclos irregulares, resistência à insulina, alterações tireoidianas, deficiências nutricionais ou outras condições que possam interferir na ovulação e na saúde reprodutiva.

Talvez uma das mudanças mais importantes desses 90 dias nem seja visível: uma mulher que entra na gravidez com glicemia mais organizada, doenças crônicas controladas, estado nutricional adequado e uma rotina de saúde mais consistente, parte de um cenário diferente daquela que começa a reorganizar tudo depois que descobre a gestação.

Isso é particularmente relevante porque as primeiras semanas são um período de intensa divisão celular e formação embrionária, muitas vezes antes mesmo de a mulher saber que está grávida.

Diabetes, hipertensão, doenças da tireoide, obesidade e outras condições clínicas devem, idealmente, ser avaliadas antes da concepção. O mesmo vale para medicamentos de uso contínuo: algumas drogas precisam ser substituídas ou ajustadas antes da gravidez, e fazer essa transição de maneira planejada é muito diferente de precisar interromper um tratamento às pressas depois de um teste positivo.

É justamente por isso que a pré-concepção não deveria ser vista apenas como uma fase de “começar vitaminas”. É uma oportunidade de chegar à gravidez com menos pontas soltas.

Para o homem

No organismo masculino, a lógica dos 90 dias fica ainda mais clara.

A formação dos espermatozoides não é imediata. A espermatogênese humana leva aproximadamente 74 dias e, depois disso, essas células ainda passam por um período de maturação antes de estarem prontas para participar da fecundação.

Isso significa que o espermatozoide disponível no momento da concepção começou sua formação semanas antes.

Nesse intervalo, fatores como tabagismo, consumo excessivo de álcool, exposição a determinadas substâncias, alimentação, saúde metabólica e estresse oxidativo podem influenciar a saúde reprodutiva masculina.

É também por isso que falar em pré-concepção apenas com a mulher deixa metade da história de fora. O embrião recebe material genético dos dois lados e o preparo também deveria seguir essa lógica.

Os hábitos

Quando falamos em pré-concepção, existe uma tendência de concentrar toda a atenção em exames e suplementos. Mas uma parte importante dessa preparação acontece fora deles.

Alimentação, atividade física, sono, tabagismo, álcool e exposição a substâncias potencialmente prejudiciais também fazem parte da saúde pré-concepcional.

E existe uma vantagem prática em começar antes: a mulher não precisa esperar pelo teste positivo para tentar mudar tudo de uma vez.

Três meses podem ser tempo para encontrar uma atividade física que realmente caiba na rotina, organizar melhor a alimentação, abandonar o cigarro, reduzir ou eliminar o álcool, rever medicamentos e estabelecer hábitos que poderão continuar durante a gestação.

O objetivo não é chegar à gravidez com uma rotina perfeita, mas sim chegar com menos ajustes importantes ainda por fazer.

E por que o casal deveria começar junto?

Durante muito tempo, o planejamento da gravidez foi colocado quase inteiramente sobre a mulher. Ela faz exames, modifica a alimentação, toma suplementos e organiza a rotina, enquanto o homem frequentemente só entra na conversa quando existe dificuldade para engravidar.

Biologicamente, essa divisão faz pouco sentido.

Os espermatozoides que participarão de uma tentativa daqui a dois ou três meses estão sendo formados agora. Por isso, o período pré-concepcional também é uma oportunidade para que o parceiro reveja hábitos, alimentação, saúde metabólica, tabagismo, consumo de álcool e outros fatores que possam interferir na saúde reprodutiva.

A pré-concepção é uma etapa do casal, não apenas de quem vai gestar.

A linha Pre Concep da Humara

Foi a partir da lógica de preparação anterior à concepção que a Humara desenvolveu sua linha Pre Concep Feminino e Pre Concep Masculino.

No Pre Concep Feminino, a fórmula reúne nutrientes envolvidos em processos que já são importantes antes do positivo, como metilação e divisão celular, proteção antioxidante, função mitocondrial, equilíbrio nutricional e preparação para o início da gestação.

No Pre Concep Masculino, a proposta acompanha o tempo biológico da espermatogênese, com nutrientes relacionados à proteção antioxidante, produção de energia celular, motilidade e integridade espermática.

Mais do que começar um suplemento três meses antes, a ideia é usar esse período para olhar para a pré-concepção de maneira mais completa: alimentação, hábitos, exames, condições clínicas, suplementação e participação do casal.

Porque os 90 dias antes da gravidez não são uma contagem regressiva.

São uma oportunidade de começar o cuidado antes que a gestação comece.

Fontes e leituras recomendadas

American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Prepregnancy Counseling. Committee Opinion No. 762, 2019.

American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Good Health Before Pregnancy: Prepregnancy Care.

American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Optimizing natural fertility: a committee opinion. Fertility and Sterility, 2022.

World Health Organization (WHO). Periconceptional folic acid supplementation to prevent neural tube defects, atualização de 2023.

Griswold, M. D. Spermatogenesis: The Commitment to Meiosis. Physiological Reviews, 2016; 96(1):1–17.

American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Tobacco or marijuana use and infertility: a committee opinion.

World Health Organization (WHO). Preconception care: maximizing the gains for maternal and child health.

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